O formato da tabela anexa provavelmente proporciona a comparação mais clara dos aerofólios listados. Examinando os números podemos examinar rapidamente os valores e tendências e determinar qual perfil seria melhor para um envelope de vôo previsto. A tabela também pode ser usada para estabelecer comparações entre aeronaves.
Acerca de dez anos atrás, quando o Kit do Venture da Questair estava se tornando popular, a Stoddard-Hamilton, que produzia o Glassair tentava desesperadamente descobrir porque a configuração do Questair era tão mais eficiente do que a do Glassair III, produzido por eles. Não era incomum para o novo avião se distanciar do Glassair facilmente, usando um motor substancialmente menor. Num mercado em que uma milha por hora a mais dá o direito de gozar da concorrência e algumas vendas a mais, esta diferença de desempenho estava afetando alguns números das vendas projetadas da empresa.
Examinando os dados publicados do desempenho e d geometria sobre os dois aviões (Jane´s 1993 – 1994) e extrapolando, onde necessário para obter os valores ao nível do mar, podemos determinar os coeficientes de sustentação para os dois aviões em condição de cruzeiro. Para o Questair Venture, isto gera um coeficiente Cl = 0,208 se observarmos a tabela fornecida (o Questair usa perfil 23015 na raiz e 23010 na ponta) e aproximarmos o desempenho com o perfil 23012, obtemos um "l/d" de 33,55.
Para o Glassair, os mesmos cálculos geram um valor de Cl = 0,13. O avião usa o perfil
LS(1)-04013 de forma que, para a mesma condição de vôo sua asa gera um valor "L/d" de 16.56, ou menos que a metade do valor do Venture. Para piorar o problema, para compensar as altas forças no manche do perfil selecionado, no início do desenvolvimento a empresa preencheu a reentrância no bordo de fuga, diminuindo assim ainda mais o desempenho de sustentação do perfil. Resumindo, esta foi uma seleção horrível por parte do projetista original.
Atenção: o exemplo acima é uma simplificação. Para calcular os efeitos de um projeto novo é preciso examinar as características tridimensionais da asa em questão, convertendo os dados aplicáveis para levar em conta a geometria finita da asa. Dados bidimensionais raramente são precisos quando aplicados a uma asa real. O exemplo foi dado apenas para fins de discussão.
Resumindo, a seleção do aerofólio certo é importante e depende em parte do envelope de vôo que o projetista deseja melhorar. Praticamente qualquer coisa voa se tiver potência suficiente, estabilidade e sorte. O truque é faze-la voar bem A seleção do perfil é uma parte importante do processo, mas não há qualquer mágica em torno dela, nem precisa ser um processo caro. Faça alguns telefonemas e contatos, e alguns projetistas podem até mesmo lhe fornecer gratuitamente algumas idéias para perfis candidatos. Boa sorte.